Licenciatura em Educação do Campo lança turma na Terra Indígena Laklãnõ/Xokleng
A relação entre a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o povo indígena Laklãnõ/Xokleng alcançou um marco histórico a partir de uma série de encontros, decisões e ações concretas que reafirmam o direito à educação superior no próprio território indígena. Essa conquista é resultado de décadas de luta, resistência e diálogo em defesa do reconhecimento dos saberes indígenas e do enfrentamento às desigualdades históricas no acesso ao ensino superior.
No dia 10 de julho de 2025, às 10 horas, ocorreu um encontro histórico entre lideranças da Terra Indígena Laklãnõ e representantes da UFSC. A reunião contou com a presença do então cacique presidente Setembrino Camlem, dos caciques regionais das aldeias Plipatól e Coqueiro, João Monconã e Basílio Priprá, além do coordenador indígena do projeto da UFSC com as aldeias, Cristian Roberto Priprá. Também estiveram presentes o reitor da UFSC, professores, pró-reitores, representantes institucionais e os diretores das escolas indígenas Laklãnõ e Vanhecú Patté, Abraão Patté e Osias Patté.

Como resultado desse diálogo, foi acordado que, a partir de 2026, o curso de Licenciatura em Educação do Campo da UFSC passaria a ser ofertado diretamente no território indígena Laklãnõ, configurando-se como um avanço sem precedentes na história do povo Laklãnõ/Xokleng.Essa decisão representa o reconhecimento institucional da importância dos saberes ancestrais, da cultura indígena e da necessidade de uma formação superior que respeite as especificidades territoriais, linguísticas e culturais dos povos originários.
Durante muitos anos, as lideranças Laklãnõ/Xokleng enfrentaram barreiras impostas pelo racismo estrutural presente nas instituições de ensino superior. Nesse contexto, a realização do vestibular no próprio território, no dia 2 de novembro de 2025, na Escola Indígena de Educação Básica Laklãnõ, localizada na aldeia Plipatól, representou um avanço decisivo para garantir o acesso dos indígenas ao ensino superior em condições de igualdade, dignidade e respeito à sua identidade cultural. Destaca-se ainda a atuação dos graduandos indígenas Cristian Roberto Priprá e Elian Daniel Ndili, que nos dias 6 e 7 de outubro de 2025 visitaram as escolas indígenas Laklãnõ e Vanhecú Patté, auxiliando os candidatos interessados na inscrição para o vestibular e fortalecendo o protagonismo indígena e a participação comunitária no processo de acesso à universidade.

A consolidação dessa conquista avançou significativamente no dia 9 de fevereiro de 2026, quando os professores Roberto Antônio Finatto, coordenador do curso de Licenciatura em Educação do Campo, e Juliano, coordenador da turma, reuniram-se com os estudantes da primeira turma indígena do curso. O encontro teve como objetivo a primeira interação presencial entre docentes e discentes, o reconhecimento dos estudantes como sujeitos centrais do processo formativo e a definição do local onde serão ministradas as aulas no território indígena.
Na mesma data, o acordo foi reafirmado com a nova cacica presidente da Terra Indígena Laklãnõ, Fabiana Patté, simbolizando a continuidade política e institucional do compromisso firmado entre a UFSC e o povo Laklãnõ/Xokleng, fortalecendo ainda mais essa parceria histórica. O início das aulas presenciais está previsto para o dia 23 de março de 2026, diretamente no território indígena Laklãnõ, marcando uma nova etapa na história da educação superior em Santa Catarina. A presença efetiva da UFSC no território vai muito além da oferta de um curso acadêmico: representa uma reafirmação da autonomia dos povos indígenas, da valorização de seus conhecimentos tradicionais e do compromisso com uma educação intercultural, antirracista, comunitária e socialmente referenciada.

Essa iniciativa fortalece a formação de educadores indígenas comprometidos com o desenvolvimento sustentável, a defesa do território e a preservação das tradições culturais, contribuindo para o enfrentamento do racismo estrutural nas instituições de ensino superior e para a construção de políticas educacionais mais justas e inclusivas. Essa conquista histórica simboliza a resistência, a perseverança e a força coletiva do povo Laklãnõ/Xokleng na luta por direitos educacionais que respeitem suas especificidades culturais. Ao reconhecer o território indígena como espaço legítimo de produção de conhecimento, a UFSC fortalece não apenas a formação profissional dos estudantes, mas também a identidade, a autonomia e o futuro das novas gerações Laklãnõ/Xokleng.












































